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Cardiologista do HGE alerta para cuidados com o coração nos jogos da Copa

Ana Setton explica sintomas de infartos e diz que problema em jovens é mais comum
Por: Texto de Neide Brandão
 Foto: Carla Cleto  

Futebol, adrenalina, euforia. Mais uma Copa do Mundo de Futebol se inicia e os cuidados com a saúde não devem ser colocados em segundo plano, principalmente no caso do coração, que sofre com as emoções em decorrência do aumento de hormônios no organismo. O alerta é da cardiologista do Hospital Geral do Estado (HGE), Ana Cely Setton, ao explicar que, durante os jogos, a tensão para ver a Seleção Brasileira vitoriosa, pode desencadear riscos cardiovasculares, principalmente se somados a maus hábitos, como sedentarismo, excesso de bebidas, má alimentação e fumo.

“Assistir um jogo da Seleção Brasileira, em plena Copa do Mundo, mexe muito com a emoção e isso libera muita adrenalina, então, fatalmente, o coração vai acelerar. Para quem tem pressão alta, aconselhamos não se esquecer de tomar seus remédios no horário e de forma regular. Para os que bebem, tenham cuidado com a bebida, a moderação é fundamental. Preparem o coração, antecipadamente, para as emoções que vão vir e que serão muitas, uma vez que a taquicardia pode gerar um aumento da necessidade do fluxo de oxigênio para o músculo cardíaco,” explicou a cardiologista.

Segundo Ana Cely Setton, devido a fatores como a má alimentação, o sedentarismo e o estresse, o diagnóstico de infartos em jovens tem sido cada vez mais frequentes. “Antes, a maior incidência ficava na faixa etária entre 45 a 70 anos, mas, hoje, recebemos muitos pacientes com 30 anos. A correria do dia a dia, o hábito de comer rápido, a opção por fast foods, as comidas mais gordurosas, o aumento da carga de trabalho, fazendo-o abrir mão da atividade física, contribuem para o entupimento de veias”, descreveu.

Grupo de risco

A cardiologista explicou que, durante uma partida de futebol, há uma intensa liberação de hormônios na corrente sanguínea, o que pode levar o organismo a reagir com aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e dos níveis de glicose no sangue. “Isso acontece devido à ansiedade e excitação do momento. Naqueles que apresentam diabetes, pressão alta, colesterol ou triglicerídeos alterados (dislipidemia), assim como os tabagistas, sedentários, aqueles com fatores de risco psicossociais como o estresse, a depressão, a ansiedade, entre outros; ou que tenham histórico familiar de infarto/angina precoce, a probabilidade de infarto aumenta durante as partidas de futebol. Por isso, os cuidados devem ser redobrados”, alertou.

Entre os sintomas que podem servir de alerta ao torcedor, a cardiologista do HGE, Ana Cely Setton destacou o aperto no peito, suor frio, tremores nas mãos, palidez na pele, palpitações, respiração ofegante, pressão alta, turvação visual e tonturas. Ela orientou que, em caso de apresentar qualquer um dos sintomas, o torcedor deve se dirigir, imediatamente, para uma emergência hospitalar.

A fisioterapeuta Willianne Chagas contou que os cuidados para pacientes infartados devem ser criteriosos. “Aqui no HGE, por exemplo, apesar de termos TV’s na unidade cardíaca, não vamos ligá-las durante as partidas do Brasil. Em casa, os pós-infartados devem analisar essa possibilidade também, conversar com seu médico e não esquecer suas medicações”, completou.

De acordo com ela, a alta hospitalar de pacientes pós-infartos é apenas o término de uma etapa. Em casa, os cuidados com o corpo e bem estar devem continuar. “A prática de atividade física contribui pra controle de hipertensão, diabetes, obesidade e também do desgaste e tensão emocional. Caso contrário, sujeitos ao sedentarismo, juntamente com a má alimentação, podem sofrer outros infartos. Após duas semanas de cirurgias, pequenas caminhadas diárias já são recomendadas, evitando qualquer tipo de esforço”, orientou.






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