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Abacaxi produzido em Alagoas conquista o mercado paulista

Pequenos agricultores de Limoeiro de Anadia estão vendendo o fruto diretamente para a Batista Legumes
Por: Texto de Soraya Leite
 Foto: Divulgação/Asprolimo 

A parceria firmada entre Batista Comércio de Legumes S/A e a Associação dos Produtores de Limoeiro de Anadia (Asprolimo) já começa a apresentar os primeiros resultados. Desde novembro, agricultores vinculados à entidade e atendidos pelo Arranjo Produtivo Local Horticultura no Agreste estão vendendo abacaxi para a empresa paulista. O APL é coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), em parceria com o Sebrae/AL.

Em pouco mais de um mês, 180 mil frutos foram comercializados, com uma arrecadação na casa dos R$ 300 mil. A experiência, considerada inovadora na região, está transformando a rotina dos agricultores e fomentado a cadeia produtiva do abacaxi, com a geração de emprego e renda para dezenas de trabalhadores rurais do município.

Fornecedora de hortaliças, frutas e verduras para supermercados e para o comércio atacadista em geral há trinta anos, a Batista Legumes ocupa uma grande área na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais (Ceagesp), em São Paulo. E a excelente qualidade do abacaxi produzido no Agreste alagoano despertou o interesse do gerente comercial Ilton Oliveira e do representante do setor de compras da empresa, Alexandre Ito, que, no mês passado, vieram a Alagoas para uma visita técnica em busca de novos fornecedores.

Em pouco mais de um mês, 180 mil frutos foram enviados a São Paulo (Fotos: Divulgação/Asprolimo)

Para o consultor do APL Horticultura no Agreste, Humberto Sant’anna, a venda do abacaxi para a empresa paulista trouxe excelentes resultados. O principal deles foi a venda direta ao comprador pelo preço de mercado, sem a interferência de atravessadores, o que vinha causando insegurança e grandes prejuízos no campo.

As negociações com a Batista Legumes começaram em junho e foram efetivadas em novembro. O primeiro caminhão saiu com uma remessa de 120 mil frutas, no valor de R$ 140 mil. Em dezembro, o volume comercializado pulou de um caminhão para três por semana, com a entrega de 180 mil frutos no total, e renda de quase R$ 300 mil para os envolvidos.

“É um volume considerável. Antes, os agricultores vivenciavam uma alta produção, mas com uma comercialização injusta devido à ação dos atravessadores. A experiência com a empresa paulista está sendo inovadora, com bastante êxito”, afirmou o consultor, acrescentando que o trabalho que está sendo realizado com o apoio do Governo do Estado, por meio APL Horticultura no Agreste, foi fundamental para essa abertura comercial.

“Hoje, os produtores estão conscientes de que podem, sim, fornecer seus produtos para clientes privados. Eles estão sendo capacitados sobre como organizar frete, recrutar a mão de obra na região e, com essa experiência, estarão preparados para fechar negócios não só com a Batista Legumes, como com outros potenciais clientes que podem aparecer”, afirmou Humberto Sant’anna.

Em Limoeiro de Anadia, cerca de 300 agricultores atuam na produção do abacaxi, mas essa primeira venda à Batista Legumes envolveu apenas 20 associados da Asprolimo, conforme explica o presidente da entidade, Alvânio Vicente Farias. Segundo ele, a parceria está fazendo com que outros produtores procurem a entidade, interessados em vender para a empresa.

“Além da perspectiva de aumento na produção, a atividade deve incrementar a oferta de emprego em outros setores da cadeia produtiva, como o plantio, colheita, carregamento dos caminhões, gerando emprego e renda na região”, afirmou Alvânio Vicente.

Em pouco mais de um mês, 180 mil frutos foram enviados a São Paulo (Fotos: Divulgação/Asprolimo)

“Hoje, o agricultor sabe que tem para quem vender sua produção. A Batista Legumes atua há mais de 30 anos dentro da Ceagesp. É uma empresa séria, grande, reconhecida pelo mercado paulista e, também, por outros estados que compram diretamente a ela”, completou.

Os agricultores estão entusiasmados. E, devido à qualidade do produto, a empresa paulista demonstrou interesse em dar continuidade à parceria para a próxima safra, prevista para junho. A expectativa é de que Alagoas passe a enviar 15 mil frutos por dia para São Paulo e passe a fornecer outras frutas, a exemplo do coco e da goiaba.

Para o gerente comercial da empresa, Ilton Oliveira, está sendo uma experiência excelente. “A região é boa para trabalhar, o produto é de qualidade e foi muito bem aceito no mercado paulista. Então, temos todo o interesse em manter essa parceria e, quem sabe, ampliar o leque de produtos a serem comprados dos agricultores alagoanos, a exemplo da graviola, maracujá, melancia e laranja”, garantiu o empresário.






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