Anterior

Acidente deixa um policial da reserva ferido e a sua esposa morta no trevo de Olho d’Água do Casado

30/12/2019

Anterior

Próxima

Bancos fecham nesta terça-feira e no dia 1º

31/12/2019

Próxima
30/12/2019 - 14:08
Alagoas registra seu maior número de medalhistas do sexo feminino na OBMEP

Foram 26 estudantes premiadas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, sendo nove da rede estadual
Por: Texto de Ana Paula Lins e José Arnaldo
 Foto: Valdir Rocha 

A edição 2019 da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) foi marcada por recordes para Alagoas. Além de registrar a primeira conquista de dois ouros simultâneos por alunos da rede estadual – os estudantes João Victor Silva dos Santos, da Escola Estadual Padre Cabral e Jeann da Rocha Silva, da Escola Estadual Margarez Lacet –, a Olimpíada teve o seu maior número de medalhistas do sexo feminino em Alagoas, 26 ao todo.

É o melhor resultado desde 2016 e mostra o interesse e o engajamento crescente das estudantes, não só na Olimpíada, mas também no estudo da matemática, área, que, tradicionalmente, tem uma predominância masculina.

Das 26 medalhistas da edição 2019, nove são da rede estadual, todas com medalha de bronze - Karen Soares de Souza, da Escola Estadual Professora Rosalva Pereira Viana, de Maceió; Gabriela Mendes Teles da Silva, da Escola Estadual Manoel de Araújo Dória, de Maceió; Lívia Caroline Barbosa Almeida, do Colégio Tiradentes Arapiraca; Cinthia Maria Gomes Paulino, da Escola Estadual Egídio Barbosa, de Palmeira dos Índios; Luana Marina Santos Ferro, da Escola Estadual Rotary, de Arapiraca; Rayssa Thyelle da Silva Leite, da Escola Estadual Fernandes Lima, de Maceió; Cindhy Glauciele de Lima Rodrigues, da Escola Estadual Professor José da Silveira Camerino, de Maceió; Gabriela Barbosa Souza, da Escola Estadual Almeida Cavalcanti; de Palmeira dos Índios e Sara Maria da Silva Melo, da Escola Estadual Senador Rui Palmeira (Premen), de Arapiraca.

Este também é o melhor desempenho feminino da rede estadual na história da OBMEP: a melhor marca havia sido na edição 2018, com oito medalhistas -sendo sete bronzes e uma prata.

A secretária Executiva da Educação, Laura Souza, celebra este recorde e lembra que, em 2018, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) submeteu junto à CNPQ um projeto de fomento das ciências, o Meninas nas Ciências. O mesmo foi aprovado e incorporado à Feira de Ciências do Estado de Alagoas (Feceal).

“Persistência, curiosidade e sensibilidade são características femininas que são essenciais para a ciência. Como gestores, acreditamos que a criança e o jovem precisam ter um horizonte mais amplo e, no caso das meninas, queremos que elas enxerguem como podem contribuir para a sociedade, ocupando cargos de liderança e ajudando no desenvolvimento do país”, ressalta a secretária.

A pioneira – As alunas da rede estadual figuram entre as pioneiras de conquistas femininas de Alagoas na OBMEP. A primeira a conquistar uma medalha, e também a somar três medalhas de bronze na competição, foi Jéssika da Rocha, pela Escola Estadual Margarez Lacet, nos anos de 2007, 2009 e 2010. Não por coincidência, Jéssika é irmã mais velha do medalhista de ouro Jeann da Rocha Silva, mostrando que o “DNA” da matemática é forte na família – o irmão do meio, Jefferson, também conquistou um bronze no ano de 2014.

Assim como seus irmãos, Jéssika teve no pai uma inspiração para gostar da matemática e o incentivo dos professores da Escola Margarez Lacet para se aprofundar em sua paixão. E nos treinamentos do Programa de Iniciação Científica Jr, o PIC, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), conviveu com outros medalhistas. “Lá, todos éramos iguais, não importava ser menino ou menina, éramos todos apaixonados pela matemática. Lá visualizei a matemática de forma mais ampla”, recorda.

Jéssika celebra a expansão do número de medalhistas femininas em Alagoas. Em 2007, ano de sua primeira medalha, apenas ela teve esta conquista. Ela também dá um conselho para as garotas que não acreditam ter o mesmo potencial.

“Hoje temos muitos programas que estimulam o interesse das meninas pelas ciências e isso é ótimo. E mesmo vivendo em uma sociedade, onde a mulher se sente mais cobrada para provar sua competência, minha dica para todas as garotas é que não desistam e não reprimam sua paixão pela ciência”, orienta Jéssika, que atualmente trabalha com marketing digital. “Muitos podem pensar que é uma área totalmente inversa à matemática, mas tem tudo a ver, pois trabalhamos muito com estatística, probabilidade, análise de dados”, complementa Jéssika.

A recordista - Outras trimedalhistas da Olimpíada são Ana Letícia de Oliveira, com três bronzes pela Escola Municipal Rui Palmeira, de São Miguel dos Campos nos anos 2011, 2012 e 2013 e Marta de Fátima Severiano de Oliveira, que somou dois bronzes (2008 e 2012) e uma prata (2013) para a Escola Estadual Álvaro Paes, de Coité de Nóia.

Marta, por sinal, foi inspiração para a estudante do sexo feminino que soma o maior número de medalhas na OBMEP: a conterrânea Maria Karla Barbosa, que conquistou um bronze com a Escola Municipal José de Sena Filho, em 2015 e dois bronzes e uma prata pela Escola Estadual Álvaro Paes em 2016, 2017 e 2019.

Atualmente estudante do curso de Matemática da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), campus Arapiraca, Karla se mostrou surpresa com o próprio recorde e diz que espera ser superada em breve. Ela também fala do desafio de se destacar em uma área tradicionalmente dominada pelo público masculino.

“Sempre busquei me superar e melhorar meu desempenho e saber que sou a medalhista do sexo feminino com o maior número de medalhas na OBMEP em Alagoas me deixa muito feliz”, revela.

Karla comemora o crescimento de estudantes do sexo feminino premiadas na OBMEP em Alagoas. “Ainda que a matemática seja uma área para todos, ela ainda é muito pouco ocupada por mulheres. Eu mesma, assim como muitas amigas, já fui questionada se não seria melhor eu migrar para áreas com maior predominância feminina, como as ciências humanas, onde eu não seria minoria. Situações como estas, muitas vezes, acabam desmotivando as meninas e saber que, este ano, tivemos esse crescimento no número de medalhistas é muito importante, pois rompe preconceitos e mostra que na matemática há espaço para todos”, avalia.

Karla e Marta também integram o seleto grupo de estudantes do sexo feminino que conquistaram medalha de prata na OBMEP em Alagoas, composto ainda por Joyce dos Santos Monteiro, do Colégio Tiradentes Maceió (medalha em 2009), Lara Luiza dos Santos Ramos, da Escola Municipal Dra Elisabeth Anne L.L. de Farias, de Maceió (2009); Letícia Cristina Oliveira Santos, da Escola Estadual Comendador José da Silva Peixoto, de Penedo (2011); Thaynara Cecília Santos, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), campus Maceió (2013); Júlia Albuquerque Aguiar, do Ifal Arapiraca (2014); Érika de Fátima Machado Soares, do Ifal Palmeira dos Índios (2016) e Mariana das Neves Ferreira, do Centro Educacional Professora Maria de Lourdes Rocha, de São José da Laje (2019).

Referência – Com a ida de Karla e Marta para o ensino superior, uma nova geração de medalhistas da rede estadual na OBMEP surgiu nas três últimas premiações.

Dentre elas estão Gabriela Barbosa Souza, da Escola Estadual Almeida Cavalcanti, de Palmeira dos Índios e Lívia Caroline Barbosa Almeida, do Colégio Tiradentes Arapiraca. Gabriela é bimedalhista de bronze da OBMEP (2018 e 2019) e, recentemente, conquistou mais um bronze na Olimpíada Alagoana de Matemática (OAM). Já Lívia é bimedalhista de bronze da OBMEP em 2017 e 2019 e, este ano, conquistou ainda o ouro na Olimpíada Alagoana de Matemática das Escolas Públicas (OAMEP).

“Ganhar medalhas em olimpíadas de matemática, como a OBMEP e a OAM, representa um grande avanço quanto ao meu desempenho escolar, e ainda, para o meu futuro desempenho acadêmico. Além disso, a OBMEP, em particular, me permitiu participar do PIC Jr, que me proporcionou uma visão diferenciada da matemática ensinada na escola, ampliando o meu conhecimento sobre o assunto.

Ela também fala do que significa ser uma aluna destaque em um meio com maior incidência masculina.  “O desempenho feminino ainda não está no mesmo patamar dos meninos. Isso acontece, muitas vezes, porque as meninas desistem de participar de tais desafios. Por isso, ser considerada destaque neste meio é muito gratificante, pois faz com que outras meninas se inspirem em garotas como nós e passem ter uma maior participação nestas competições”, frisa Gabriela.

Superação - Outras medalhistas da edição 2019 da OBMEP que conquistaram bronze na OAMEP são Gabriela Mendes Teles da Silva, da Escola Estadual Manoel De Araújo Dória; Karen Soares De Souza, da Escola Estadual Profª Rosalva Pereira Viana; Cindhy Glauciele de Lima Rodrigues, da Escola Estadual Prof. José Da Silveira Camerino e Rayssa Thyelle Da Silva Leite, da Escola Estadual Fernandes Lima.

Rayssa, por sinal, somou medalhas em diversas outras olimpíadas de matemática, o que inclui prata nas Olimpíadas Canguru, Matemática sem Fronteiras e bronze na Olimpíada Brasileira de Raciocínio Lógico (OBRL).

"Eu realmente fiquei muito feliz quando recebi a notícia que havia ficado com a medalha de bronze na OBMEP, vi que todo meu esforço trouxe resultados. Descobri esse interesse na matemática no 6° ano, foi quando eu realmente comecei a participar das olimpíadas de matemática. Para chegar na prata, preciso continuar me esforçando e estudar mais não só pra OBMEP mas também para outras olimpíadas”, declara Rayssa.

Ela também dá a receita para ter sucesso na OBMEP e outras olimpíadas de matemática. “Não precisa ter medo. É claro que matemática não é uma matéria fácil, mas é uma matéria como qualquer outra. Você só precisa se dedicar e, aos poucos, você se acostuma e pode até começar a gostar. Com certeza várias meninas podem se dar muito bem nessas olimpíadas", afirma Rayssa.






Link:




Deixe seu comentário



Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.